A 12 de Maio de 1986 celebraram-se no Castelo de Windsor os 600 anos do Tratado de Windsor, a mais antiga e duradoura Aliança entre dois Estados. Na presença de Sua Majestade, Isabel II de Inglaterra e do Presidente da República Portuguesa, Mário Soares, foi celebrada missa na capela de S. Jorge recordando o dia em que Ricardo II de Inglaterra e D.João I de Portugal celebraram esse Tratado. Terminada a missa, retiraram-se e todos foram brindar comum cálice de Porto à saúde dos Chefes de Estado.

Portugal e Inglaterra, ambos virados para o mar encontram um no outro o parceiro ideal para desenvolver o comércio mútuo. A Inglaterra sempre ciosa do seu poderio e independência busca alternativas à França e Espanha enquanto parceiros comerciais estáveis, Portugal tenta passar ao lado do único vizinho ao qual foi arrancado, a Espanha, e ir encontrar amizades fiáveis para os bons e maus tempos… Grande consumidor de bacalhau e produtor de vinhos desde sempre, encontrou em Inglaterra o parceiro certo para as trocas comerciais, adquirindo a esta última o bacalhau que pescava nas suas águas em troca de vinhos tintos dos quais Inglaterra tanto necessitava.  Desta base de troca de bacalhau por vinho, viria mais tarde o vinho do Porto a desempenhar um importante papel.

O vinho do Porto, apesar de se chamar do Porto nada, ou quase, tem a ver com esta cidade à parte de ser exportado através da sua barra, o que lhe valeu o seu nome de baptismo. Na verdade, a sua zona de produção deste vinho sempre foi o Douro, uma região distante, montanhosa e agreste, obrigatoriamente armazenado em Vila Nova de Gaia para onde era transportado de barco e daí exportado para o Mundo, repito, através da barra do Porto.

Os primeiros vinhos que Inglaterra encontrou em Portugal seriam os do Minho, que se caracterizam por ser de grau alcoólico baixo, logo instáveis, e acídulos pouco apreciados no país de destino, porém necessários, estes vinhos foram baptizados de Red Portugal. Em 1689 estala a guerra entre a França e a Inglaterra o que tem como efeito o terminar das compras de vinhos franceses por parte de Inglaterra e a busca de todo o red Portugal que pudessem encontrar coma consequente aproximação de Portugal.

Em 1703 a celebração do tratado de Methuen estabeleceu um estatuto privilegiado para Portugal como fonte de abastecimento de vinhos para Ingleses e Holandeses o que de alguma forma não só reconheceu a situação que já existia de facto, como a sublinhava para futuro dando-lhe letra de tratado.

Vinho do Porto apenas pode ser produzido na Região do Douro, a primeira do Mundo a ser Demarcada no ano de 1756 , a mando do Marquês do Pombal ministro de El rei D. José I, que , para o efeito, se socorreu dos serviços dum filho da terra, Frei João Mansilha nascido em Santa Marta de Penaguião, professou na Ordem dos Dominicanos. Não deixa de ser curioso que o poderoso Ministro d´El Rei, tendo expulsado do país os Jesuítas, se socorra dum frade para esta enorme empresa, a verdade é que Frei João Mansilha se tornou igualmente seu confessor. Para o efeito foi criada a Real Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro em que frei João Mansilha detinha poder absoluto apenas ultrapassado unicamente pelo próprio Marquês.

A Companhia, como era então conhecida, imediatamente demarcou geograficamente a Região na qual podia ser produzido vinho do Porto, tendo colocado para o efeito enormes postes de granito, fez ainda o levantamento das suas propriedades e identificou as que apenas podiam produzir vinhos tintos e as que podiam produzir vinhos do Porto, sendo que estas últimas eram que melhores condições tinham para o fazer.

Em 14 de Dezembro de 2001 a Unesco declara o Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade na categoria paisagem cultural.

Published On: Janeiro 29th, 2021 / Categories: Vinhos, Vinhos do Porto /