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Porquê pertencer a um Clube de Vinhos?

Há muito que me anda a roer a vontade de escrever sobre o pertencer a um clube de vinhos, pois eu – confesso – sou fã de clubes de vinhos, não pelo simples facto da pertença ou da sensação de exclusividade a eles associada, mas simplesmente porque me dão benefícios reais, que valorizo, e me apresentam vinhos que doutra forma nunca conheceria. Acrescento o facto da extensa informação que me trazem e que muito tem contribuído para a minha formação enquanto enófilo.

Contrariamente à maioria das pessoas fujo de reduzir todos os problemas a dinheiro, a um custo, se preferir, uma vez que sei que há “coisas” cujo valor ultrapassa em muito esta forma de ver a questão. Cito uma ou duas, de entre as que me parecem mais valiosas: a variedade, a comodidade e a informação.

Sim interesso-me por vinhos não só por os conhecer mas também pelo seu consumo e, igualmente, pela sua história enquadrada pela região e pelo produtor e isso, caro leitor, poucos têm unhas para ir ao cerne e duma for a consciente fazer uma escolha esclarecida, explica-la, fundamentá-la e finalmente submetê-la ao meu julgamento enquanto apreciador dos vinhos que para mim descobrem, me entregam e que criteriosamente avalio.

Paulatinamente somei ao prazer do consumo esclarecido, o gozo da posse podendo afirmar sem receio que possuo uma cave de que me orgulho, e da qual sei o seu nutrido valor. Dá-me gozo organizá-la, mirar os vinhos, contar as garrafas, arrumá-las, e mais do que tudo é na cave quase em meditação que decido o vinho que vou eleger para o meu almoço ou jantar. É ali que tenho as minhas epifanias e que quase numa solenidade processional acrescento ou retiro as garrafas de vinho que decidi. É um facto que os meus amigos a cobiçam, paciência, é minha.

Pouco a pouco pela acção dos clubes de vinhos tornei-me num coleccionador de vinhos que catalogo por regiões, produtores, anos e quantidade de garrafas ainda disponíveis. Sim, uma das minhas fraquezas é o sentimento de posse, e o poder de vida ou morte sobre toda e cada uma das garrafas que possuo.

Mais do que o ter o que verdadeiramente me preenche é o fruir, o conhecer o apreciar, e sinto que tenho tido muita sorte neste aspecto, e muito sinceramente, sozinho não teria conseguido percorrer este caminho de descoberta e valorização pessoal que a pertença ao clube me tem permitido sempre com a garantia de estar a apreciar vinhos cuidadosamente e criteriosamente escolhidos para mim.

Sim, eu sei que tinha outras alternativas, nomeadamente ir para a internet e perder o meu rico tempo a desfilar garrafas, marcas, anos, produtores, regiões indo por caminhos fáceis, gastos, e sem qualquer garantia de sucesso ou minimamente estruturados. Não, essa não é a minha praia.

Definitivamente um clube de vinhos nem que seja por uma simples razão: a solidez das escolhas dos vinhos por contra do papaguear puro e simples de produtores, rótulos, anos, que nada mas nada dizem.

Sim, meus amigos são os vinhos que falam e eu, modéstia à parte, cada vez os entendo melhor.

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